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FOTO: MEC - Assessoria de Comunicação Social

Estudante da Bahia desenvolve reservatório sustentável para captar água da chuva

Durante a Feira de Ciências da Escola Estadual Norberto Fernandes, em Calculé, no sertão da Bahia, uma invenção muito bem-bolada caiu nas graças do público e acabou rendendo ao estudante Sandro Lúcio do Nascimento, de 17 anos, o segundo lugar na categoria Ensino Médio do Prêmio Jovem Cientista, criado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Esse projeto é o tema da edição desta sexta, 9, do programa Trilhas da Educação, produzido e transmitido pela Rádio MEC.

Aluno do terceiro ano do ensino médio, Sandro, que ganhou uma bolsa de iniciação científica pelo projeto, desenvolveu um reservatório para captar e armazenar, na própria escola, a água da chuva. O aparelho foi construído a partir de garrafas plásticas e cascas de coco, o que resultou em material útil, de baixo custo e capaz de ajudar na preservação do meio ambiente de toda a comunidade da zona rural onde fica a escola.

O jovem se inspirou em exemplos bem-sucedidos, como um reservatório construído pelos estudantes da Universidade de São Paulo (USP) com cimento elaborado a partir do bagaço da cana-de-açúcar. A proposta levou em conta as condições climáticas de uma região onde quase não chove.

“Aqui no semiárido, são praticamente três meses de chuva e os nove meses restantes de seca”, explica o estudante. “Se ficar muito tempo sem chover, muitas vezes, não só a minha cidade, mas outras regiões vizinhas, enfrentam falta de água, o que obriga a um racionamento e a uma economia bastante rigorosa para que ela não falte. ”

Descarte sustentável – Sandro aproveitou os recursos da própria região, conhecida pela produção de coco – matéria-prima que, ao ser descartada na natureza, nem sempre tem destino seguro. Engajado em resolver o problema, ele passou a utilizar o bagaço da cana-de-açúcar, que é uma fibra, para retirar o coco do meio ambiente e utilizá-lo na construção do reservatório.

Tudo foi projetado para funcionar de forma simples. Por meio de calhas instaladas no telhado, a água da chuva é drenada até o reservatório, que tem capacidade para 150 mil litros. Além de sustentável, todo o processo tem servido também para mudar a concepção dos moradores da comunidade sobre o descarte correto do lixo, pois muita gente ainda fazia queimada ou alimentava aterros de maneira inadequada na região.

 “Aqui a gente acaba queimando lixo junto com os outros”, conta Sandro. “Eu queria dar um destino a essas garrafas. Em vez de serem queimadas, elas podem ser utilizadas para fazer o reservatório. É um procedimento ecológico que vai gastar menos energia na fabricação do que o cimento convencional, e não agride tanto o meio ambiente”.

Sandro construiu uma maquete e, com auxílio da professora de matemática da escola, Edjane Alexandre, passou a fazer os testes, começando pelo de impermeabilidade. Não demorou a perceber que tinha ido pelo caminho certo, pois o material utilizado para construir o reservatório permitiu que a água não se infiltrasse.

“Eu nem acreditei que esse projeto traria tanta repercussão”, diz o jovem, ao comentar sua premiação. “Fiquei surpreso. ” Os esforços valeram a pena. Agora, com o incentivo e o reconhecimento obtidos, Sandro pretende cursar o ensino superior na área das ciências da natureza.

FONTE: MEC - Assessoria de Comunicação Social
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